Bolsas de Criação Artística | Projetos Selecionados

SEGUNDA EDIÇÃO

A Câmara Municipal tem vindo a afirmar a marca de Setúbal enquanto Cidade de Criação Artística, seja através da elaboração dos protocolos de cooperação com várias entidades culturais, seja nos ciclos de programação cultural que preenchem a agenda nas mais diversas manifestações artísticas, além da programação regular nos equipamentos.

Reforçando este conceito, o já emblemático espaço A Gráfica – Centro de Criação Artística assume um lugar particularmente relevante: casa que acolhe o cruzamento das pluralidades criativas, procurando dar expressão a todas as formas de pesquisa artística contemporânea, como as artes visuais, performáticas e performativas, design, literatura, cultura digital, arquitetura, entre outras.

Pelo segundo ano consecutivo, o município de Setúbal lançou o programa de Bolsas de Criação Artística, destinado a apoiar criadores e/ou coletivos que desenvolvam projetos pensados para espaços não convencionais, proporcionando-lhes não só um incentivo financeiro, como a possibilidade de usufruírem de uma área de trabalho nas instalações d’A Gráfica – Centro de Criação Artística durante o processo criativo, seja ele de pesquisa, investigação ou experimentação.

Cada bolsa selecionada recebe o apoio pecuniário de 5.000,00 €, com a possibilidade de usufruir de um espaço de trabalho nas instalações de A Gráfica – Centro de Criação Artística e a partilha de materiais de pesquisa ou estreias de espetáculos na próxima edição da MAPS – Mostra de Artes Performativas em Setúbal.

Projetos selecionados em 2022

Aura Fonseca, Cláudia Gaiolas e David Marques são os autores dos projetos selecionados na edição de 2022 das Bolsas de Criação Artística.

Mais de uma centena de candidaturas, provenientes de todo o país e de diferentes áreas artísticas, foram submetidas nesta edição.

O júri constituído por Cláudia Galhós, jornalista especialista em artes performativas e escritora, e Tiago Pereira, realizador, documentarista, radialista e visualista, em articulação com a Divisão de Cultura da Câmara Municipal de Setúbal, fez a seleção tendo em conta critérios como a inovação das propostas apresentadas e a valorização da relação com o equipamento cultural A Gráfica.

“Como seria nadar há 50 anos?”, de Cláudia Gaiolas e Judite Canha Fernandes, é um dos três projetos selecionados para receber o apoio da bolsa artística.

Trata-se de um projeto sobre a memória, a partir da auscultação de histórias contadas por setubalenses com o objetivo de compreender de que modo se modificaram, em 50 anos, experiências como ir à praia, fazer um piquenique e visitar a família.

A criação de Cláudia Gaiolas e de Judite Canha Fernandes, artistas do Teatro Meia Volta, foca-se nas experiências vivenciais do concelho de Setúbal, nomeadamente na relação balnear com o estuário do Sado.

A dupla composta pelo coreógrafo e bailarino David Marques e pelo ator Nuno Pinheiro foi selecionada para bolseira com “Conferência performativa: pele”, projeto valorizado pela investigação que se foca em questões como a abstração e a construção de sentidos, a relação entre palavra e gesto, a história da dança e do teatro, a dimensão política da arte e o papel dos artistas na sociedade atual.

O tema da pele é investigado a partir de inquietações autobiográficas, tendo em conta também a constatação de que a experiência de cada pessoa no mundo é mediada por este órgão.

A pesquisa teórica sobre a pele aborda as dimensões biológica, histórica, social, cultural e política e a experimentação performativa e coreográfica foca-se também sobre este órgão do corpo humano.

“Trans* Performatividade” é o título do projeto de Aura da Fonseca também selecionado pela edição deste ano das Bolsas de Criação Artística.

O projeto visa a criação de uma peça transdisciplinar, cuja pesquisa baseada na interrogação pessoal e biográfica da artista procura dar resposta à questão “Como transpor a minha / nossa experiência como uma pessoa trans* para uma obra?”.

Aura Fonseca desenvolve o conceito que dá nome à pesquisa e aborda a sua relação múltipla com a Sociologia, Filosofia, Estudos Transfeministas, Teoria de Género e Novas Ecologias com práticas contemporâneas que fundem as artes visuais e as artes performativas.

 

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