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Conferência "À Conversa Sobre Plantas Invasoras" | Investigadora Elisabete Marchante

As ameaças colocadas pelas plantas invasoras, os prejuízos para os ecossistemas e para a economia e formas de controlo destas espécies estiveram em debate numa conferência realizada no dia 10, na Casa da Baía.


A investigadora Elisabete Marchante conduziu o encontro que integrou um ciclo de conferências realizado no âmbito da exposição “A Floresta – muito mais do que madeira”, patente até 25 de abril no Largo José Afonso.

“O problema das plantas invasoras é amplo. Uma vez que os números causam outra sensação nas pessoas, posso adiantar que se estimou em 2008, portanto, há cerca de dez anos, que a Europa perde mais de 12 mil milhões de euros por ano graças às plantas invasoras”, alertou a investigadora do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

Este é apenas um dos problemas que este tipo de plantas representa. A diminuição na disponibilidade de água nos lençóis freáticos, impactes na saúde pública por via de espécies tóxicas ou cortantes e menor biodiversidade na flora e na fauna dos ecossistemas foram alguns dos exemplos apresentados por Elisabete Marchante.

Outro perigo associado às plantas invasoras está relacionado com os incêndios, pois significam uma alteração dos regimes dos fogos, tornando-os mais imprevisíveis.

A investigadora destacou, ainda, que existe uma outra relação curiosa entre os incêndios e o desenvolvimento das plantas invasoras, uma vez que o calor acelera a germinação das sementes destas espécies dominantes, enquanto elimina dos terrenos a flora nativa.

A conferência, a terceira de um ciclo de quatro dedicado à importância das florestas, contou com a presença de várias pessoas no público, entre as quais um grupo de alunos do Curso de Educação e Formação de Jardinagem da Escola Secundária Lima de Freitas, e a vereadora do Ambiente da Câmara Municipal de Setúbal, Carla Guerreiro.

“Hoje, mais do que nunca, estamos conscientes sobre os perigos associados às plantas invasoras”, sublinhou a autarca na abertura do encontro, integrado no ciclo promovido pelo Exploratório – Centro Ciência Viva de Coimbra, em parceria com a Fundação “la Caixa” e o apoio da autarquia.

As azedas, as ervas-das-pampas e as acácias foram alguns dos diversos exemplos apresentados por Elisabete Marchante como plantas invasoras muito comuns em Portugal e que estão a dominar várias paisagens de norte a sul do país, incluindo áreas urbanas.

A investigadora esclareceu que a definição de plantas invasoras significa que se tratam de espécies exóticas, portanto de origem não nativa ao local onde se encontram, e que têm uma capacidade muito mais eficiente em se reproduzir.

“Outra coisa a ter em atenção é que podemos ser seduzidos por estas plantas. As acácias, por exemplo, dão uma flor bonita, com um amarelo agradável e vistoso. Se é bonito aos nossos olhos, não nos sentimos tão ameaçados. O problema é que a paisagem natural num estrato inferior, para lá do nível das flores, é árido e pouco biodiversificado.”

A problemática das plantas invasoras é alvo de legislação específica em Portugal desde 1999 e encontra-se atualmente em revisão. A investigadora adiantou que há várias formas de controlo, que variam consoante as espécies.

“Muitas das ações de controlo são de execução fácil e podem ser realizadas por pessoas sem experiência ou sem conhecimentos técnicos”, destacou Elisabete Marchante, acrescentando que a prevenção é a melhor arma contra as espécies invasoras.

A investigadora, que prefere a utilização do termo “controlo” em vez de “erradicação” quando se fala na gestão de plantas invasoras, salientou que a população pode ter uma voz ativa neste processo, ao participar em ações de sensibilização ou até ao contribuir para o mapeamento no país deste tipo de espécies.

Através da linha SOS Ambiente, com o número 800 200 520, e da página de internet www.invasoras.pt é possível recolher mais informações sobre este tema.

O ciclo de conferências realizado no âmbito da exposição “A Floresta – muito mais do que madeira” termina no dia 15, na Casa da Baía, às 18h00, num encontro conduzido pelo comissário da mostra, Paulo Magalhães.