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Conferência "A Árvore e a Cidade"

A importância da árvore em contexto citadino e o valor dos espécimes monumentais foram destacados numa conferência realizada no dia 19, na Casa da Baía, dinamizada no âmbito de uma mostra ambiental patente até 25 de abril.


“A Árvore e a Cidade” deu tema ao encontro conduzido pela investigadora Raquel Pires Lopes, investigadora e estudante de doutoramento em Biologia no Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Professores da Universidade de Aveiro, que destacou a importância das florestas urbanas.

Árvores isoladas ou conjuntos arbóreos em arruamentos, jardins, parques e espaços verdes são considerados florestas urbanas que “tornam as cidades mais seguras, sustentáveis e mais resilientes”, afirmou, ao apontar três cidades que sabem tirar pleno proveito desta relação.

Barcelona, em Espanha, Seoul, na Coreia do Sul, e Melbourne, na Austrália, são exemplos destacados por Raquel Pires Lopes no que respeita ao aproveitamento da árvore em contexto urbano e que se traduz numa série de benefícios para a melhoria da qualidade de vida das populações.

As florestas urbanas, “uma realidade feita de desequilíbrios ambientais, económicos, sociais e culturais” e que importa corrigir, referiu a investigadora, permitem, entre outros, “a renovação do ar, a diminuição do ruído e de poeiras, a redução do risco de inundações e a melhoria da saúde das pessoas”.

A oradora explanou ainda sobre as árvores monumentais e os valores associados, concretamente educativo, natural e científico, paisagístico, histórico e cultural, turístico e económico, este último, no caso do distrito de Setúbal, com particular importância devido à exploração de sobreiros e pinheiros mansos.

“Árvores monumentais são aquelas que se distinguem pelo porte, desenho, idade, raridade, interesse histórico ou paisagístico”, explicou, espécimes que são “protegidos” pela classificação de Interesse Público, atribuída pelo ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

Portugal, um dos primeiros países a ter legislação específica de proteção para este tipo de árvores, dispõe de um Registo Nacional do Arvoredo Classificado de Interesse Público, disponível para consulta na página do ICNF, acessível em www.icnf.pt.

Neste catálogo, com registos apenas em Portugal continental, entre 1939 e 2012, estão classificados 470 exemplares isolados e 81 conjuntos arbóreos. Em Setúbal existem vários exemplos de árvores monumentais, com destaque para uma rara pimenteira do Brasil, existente na Avenida Manuel Maria Portela.

“Setúbal é exemplo a seguir, com 16 monumentais classificadas de Interesse Público”, afirmou a investigadora, para revelar que “Portugal tem recordes” no que concerne a este tipo de árvores, com alguns dos espécimes “mais raros, mais altos e também mais velhos”.

As espécies nativas mais frequentes em território nacional são, em primeiro lugar, o pinheiro bravo, seguido do sobreiro e do carvalho alvarinho. No que respeita a exemplares não nativos, no topo da lista surgem os plátanos, em segundo as oliveiras e, em terceiro, os dragoeiros.

A conferência com o tema “A Árvore e a Cidade”, com a presença da vereadora do Ambiente na Câmara Municipal de Setúbal, Carla Guerreiro, deu início a um ciclo de encontros a decorrer entre março e abril no âmbito da exposição “A Floresta – muito mais do que madeira”, patente até 25 de abril no Largo José Afonso.

Segue-se, a 4 de abril, “A relevância do Bosque Ibérico na História Peninsular”, por Jorge Paiva, investigador do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

O ciclo prossegue no dia 10, com Elizabete Marchante, investigadora do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, a apresentar o tema “À conversa sobre plantas invasoras: o que são, onde estão e como as controlar”.

A encerrar o ciclo, no dia 15, Paulo Magalhães, comissário da exposição “A Floresta – muito mais do que madeira” e responsável pela Casa Comum da Humanidade em Portugal, dinamiza a conferência “Dos tangíveis aos intangíveis florestais: um novo quadro conceptual de suporte à sustentabilidade”.

Além deste ciclo de encontros, o Exploratório – Centro Ciência Viva de Coimbra organiza, igualmente, atividades destinadas a grupos escolares do 1.º ciclo, no dia 28 de março, entre as 11h00 e as 16h00.

“A Floresta – muito mais do que madeira” é a primeira exposição itinerante em Portugal da Fundação “la Caixa”, numa organização conjunta com o BPI, em parceria com a autarquia, alerta para a importância ambiental, económica e social das florestas, através de diversos recursos, instalados num espaço com 30 por 10 metros.

A mostra pode ser visitada de segunda a sexta-feira das 12h00 às 14h00 e das 15h00 às 20h00 e aos sábados, domingos e feriados das 11h00 às 14h00 e das 15h00 às 20h00.

A exposição também está aberta a visitas guiadas para o público em geral, de segunda a sexta-feira às 18h00 e aos sábados, domingos e feriados às 12h00 e às 18h00, e a visitas de grupos escolares, de segunda a sexta-feira das 09h30 às 13h30 e das 15h00 às 17h00.

As marcações devem ser feitas através do contacto telefónico 211 216 262.