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Capela do Forte de São Filipe

Uma visita à brecha da Arrábida, pedra ornamental em vias de classificação como “Rocha como Recurso Patrimonial Global” por um organismo internacional, assinala no dia 11 de maio, em Setúbal, o Dia do Geólogo.


A iniciativa, organizada pela Sociedade Geológica de Portugal com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal, dá a conhecer ao público o trabalho desenvolvido pelos geólogos numa perspetiva científica e pedagógica, divulgando, neste caso, um aspeto patrimonial geológico importante, a Brecha da Arrábida.

A visita, de participação gratuita, com inscrições a decorrer através do endereço de correio eletrónico jck@fct.unl.pt, tem início às 10h00 na pedreira do Jaspe, localizada próximo do Portinho da Arrábida e onde se fazia a extração da Brecha da Arrábida, pedra que, ao longo de séculos, foi utilizada para a edificação de monumentos históricos, como o Convento de Jesus e o Forte de São Filipe.

Após a visita à pedreira, guiada pelo presidente da Sociedade Geológica de Portugal, José Carlos Kullberg, e pelo geólogo António Prego, os participantes seguem para o Forte de São Filipe, onde técnicos municipais explicam de que forma se verifica a presença da Brecha da Arrábida neste monumento nacional.

Tendo em conta a importância cultural deste recurso natural, José Carlos Kullberg, na qualidade de professor da FCT – Faculdade de Ciências e Tecnologia, apresentou à União Internacional de Ciências Geológicas a candidatura da Brecha da Arrábida a “Rocha como Recurso Patrimonial Global”, que se encontra em processo de avaliação pelos peritos da subcomissão Heritage Stones (Pedras do Património).

Esta classificação internacional reconhece as rochas naturais que tiveram ampla utilização na cultura humana em monumentos do património arquitetónico.

A Brecha da Arrábida, rocha ornamental exclusiva da Serra da Arrábida, onde se formou há cerca de 150 milhões de anos, “é considerada, atualmente, um georrecurso extinto, dado que as últimas pedreiras encerraram na década de 70 do século passado”, impossibilitadas de funcionar derivado à classificação de zonas protegidas decorrentes da criação do PNA – Parque Natural da Arrábida, explica José Carlos Kullberg.

As primeiras aplicações remontam à ocupação romana e a exploração da rocha como componente construtivo e decorativo funde‐se com a história portuguesa, revelando‐se como um elemento de particular prestígio na ornamentação de diversos monumentos nacionais.

A candidatura da Brecha da Arrábida, baseada num artigo científico da autoria de José Carlos Kullberg e de António Prego, publicado na revista “Geoheritage”, no qual abordam a importância histórica e arquitetónica daquela rocha, define uma proposta de plano de salvaguarda.

Uma das ideias apresentadas é a colocação em local protegido dos últimos blocos de pedra extraídos na pedreira do Jaspe, antes da interdição das pedreiras no Parque Natural da Arrábida, para que possam ser usados no restauro de monumentos.

A Brecha da Arrábida encontra-se, ao longo da história, como elemento decorativo e componente construtivo em monumentos associados à época dos Descobrimentos e ao estilo manuelino, como o Convento de Jesus.

O Forte de São Filipe é outro exemplo da aplicação da rocha, que assume lugar de destaque nos revestimentos e pavimentos dos espaços interiores da fortaleza e na capela.