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Amália Canta-me o Fado - exposição - Centenário de Amália

Pedaços da história de vida Amália Rodrigues são partilhados com o público numa exposição patente no Fórum Municipal Luísa Todi até ao dia 20 de outubro, no âmbito das celebrações do centenário da fadista.    


A mostra “Amália Canta-me o Fado”, inaugurada no dia 20 de setembro, antes da realização de um espetáculo de tributo a Amália Rodrigues, é composta por diversos objetos pertencentes à coleção privada de Ricardo Jorge Melo Nunes, professor na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal.

Discos, livros, revistas, partituras e fotografias são alguns dos objetos que compõem a exposição, que visa perpetuar a memória de Amália Rodrigues nas mais diversas facetas da vida da homenageada.

“Esta mostra representa as muitas Amálias que temos a obrigação de continuar a respeitar. Amália é mais do que uma fadista e intérprete. É uma artista multifacetada e uma mulher e cidadã, que, a dada altura, defendeu a autonomia a emancipação das mulheres”, sublinha Ricardo Nunes.

O docente tem uma coleção com diversos objetos adquiridos em locais como feiras, alfarrabistas e lojas de discos, os quais contam um pouco da história da fadista portuguesa, que comemoraria 100 anos em 2020.

“Trata-se de um investimento emocional e material de mais de trinta anos de contacto muito próximo com tudo o que Amália fez ao longo do tempo”, indica Ricardo Nunes.

A exposição patente no Fórum Municipal Luísa Todi revela grande parte desta coleção e encontra-se dividida em três núcleos.

Numa primeira parte é partilhada com o público a produção discográfica de Amália Rodrigues, com vários discos lançados entre os anos 40 e 90 do século XX.

No que diz respeito ao núcleo bibliográfico, é possível ver fotobiografia e livros publicados por diversos autores e pela própria Amália Rodrigues.

Numa terceira parte da exposição está um pequeno espaço designado de “A Casa de Amália”, com peças, algumas delas autografadas pela fadista, que “tentam transparecer um pouco da mística de uma casa que foi um lugar de partilha de cultura”, explica Ricardo Nunes.

A mostra, de entrada gratuita, patente até 20 de outubro, pode ser vista de terça-feira a domingo, das 13h00 às 20h00.

As comemorações do centenário de Amália Rodrigues incluíram, igualmente, uma conferência no Cinema Charlot – Auditório Municipal, no dia 19, com o tema “Abraçar Amália é Abraçar Portugal”, que contou com a participação de oradores ligados ao mundo das artes e do fado, em especial ao da homenageada.

O encontro, integrado no programa das Comemorações Bocagianas, foi moderado por Tiago Correia, que, entre outros projetos, participou no programa televisivo “Uma Canção Para Ti” e no musical de Filipe La Féria “Fado História de um Povo”.

Tiago Torres da Silva, autor de poemas para fado, Vicente Rodrigues, presidente da Fundação Amália, e Pedro Pinheiro Vaz, um dos responsáveis pelos roteiros turísticos de Amália em Lisboa, partilharam testemunhos sobre as várias facetas de Amália Rodrigues a nível artístico e pessoal.

No dia 20, após a inauguração da exposição, Ana Laíns, Carla Lança, Carla Pires, Deolinda de Jesus, Inês Pereira, Paulo Rocha, Pedro Moutinho, Teresinha Landeiro e Tiago Correia deram um concerto de tributo a Amália, no Fórum Luísa Todi.

Perante uma sala com a lotação definida completa, durante cerca de uma hora e meia foram interpretados diversos fados eternizados na voz da fadista portuguesa nascida a 23 de julho de 1920 e falecida a 6 de outubro de 1999.