O património histórico e cultural de Setúbal é rico e variado.

Os museus e galerias de exposições do concelho têm merecido atenção especial, sendo hoje equipamentos renovados, requalificados e modernizados, sem que, nesse processo, tenham perdido a essência da identidade setubalense.

O mundo está presente nos museus e galerias do concelho, porque Setúbal é ela própria um mundo a descobrir.

O Convento de Jesus/Museu de Setúbal encontra-se temporariamente encerrado por motivos de obras de requalificação

Além do apelo estético do monumento, bem patente no centro da cidade, na Praça Miguel Bombarda, o Convento e a Igreja de Jesus constituem verdadeiros marcos na história arquitetónica portuguesa, assinalando o início do estilo manuelino.

O projeto nasceu no final do século XV, quando Justa Rodrigues Pereira – ama de D. Manuel I – envidou esforços junto do Vaticano e da corte real para a construção de um convento no terreno conhecido, na época, por sapal de Troino.

As obras, iniciadas em 1490 e, ao que tudo indica, terminadas em 1496, foram conduzidas por Diogo Boitaca, nome que acabaria por ser uma referência do manuelino, assinando trabalhos em monumentos como o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém e o Mosteiro da Batalha.

A Igreja de Jesus, segundo registos bibliográficos, é considerada como o primeiro ensaio em Portugal de igreja-salão, projetada como um espaço unitário e isótropo, ou seja, homogeneamente iluminado.

No Convento de Jesus recorre-se, quase em estreia, a soluções inovadoras para época, como os arcos de volta perfeita, abobadas assentes sobre arcos abatidos e redes de nervuras.

O arranque das obras reveste-se de um dado curioso. Em 1491, um ano após o início dos trabalhos, D. João II desloca-se a Setúbal para fazer uma novena e assistir à primeira missa rezada no lugar destinado ao futuro templo. Na ocasião já estavam abertos os alicerces e construídos a portaria e o dormitório do convento, mas o monarca revelou desagrado em relação às dimensões da igreja, reduzidas para o seu gosto. Nesse mesmo ano repete-se a cerimónia de lançamento da primeira pedra, durante a qual D. João II, mestre Boitaca e Justa Pereira mediram, eles próprios, o comprimento e largura do claustro do convento, desta feita já com os ajustes incluídos.

Em 1888, com a extinção das ordens religiosas, o edifício é convertido no Hospital da Misericórdia, que ali funcionou até 1959.

Museu

O Museu de Setúbal funciona no Convento de Jesus desde 1961.

Nele estão guardados os principais tesouros artísticos da cidade, nos quais se encontram os 14 painéis do Retábulo da Igreja de Jesus, conhecidos por “Primitivos de Setúbal” e considerados por especialistas como um dos conjuntos mais representativos do período renascentista português.

A Igreja de Jesus, assim como o claustro e a Casa do Capítulo do Convento, estão classificados como monumentos nacionais desde 1910 e 1933.

A responsabilidade assumida com a vinda da coleção etnográfica de Michel Giacometti para Setúbal motivou a criação de um museu que falasse sobre o mundo do Trabalho.

Antes, a coleção – um conjunto de alfaias agrícolas e instrumentos e ferramentas do quotidiano rural, recolhido durante o Serviço Cívico Estudantil em 1975 e doado a Setúbal em 1987 – deu origem, neste mesmo ano, à criação de uma sala de exposições no Convento de Jesus.

A exposição da coleção etnográfica entra em itinerância pelo país, mas deixando premente a necessidade de se constituir um museu que a albergasse.

Este desejo configura-se possível em 1991, com a aquisição pela Câmara Municipal de Setúbal da fábrica de conservas Perienes, unidade fabril extinta em 1971.

O Museu do Trabalho Michel Giacometti abre, assim, as portas ao público em 1995, após a transformação da fábrica Perienes em espaço museológico autárquico.

O museu dedicado ao mundo do trabalho foi pensado para refletir os três setores da economia.

O Primário está patente no mundo rural expresso na coleção etnográfica de Michel Giacometti. O Secundário materializa-se no aproveitamento da história do próprio edifício onde foi instalado, a unidade fabril de produção de conservas, representativa do universo industrial e da transformação.

O ciclo exibitivo do Museu do Trabalho Michel Giacometti ficou completo em 2002, com a Mercearia Liberdade, representante do setor Terciário, do comércio e serviços.

O Edifício
A zona onde está implantado o edifício da fábrica Perienes é, desde finais do século XIX, referida como um espaço industrial conserveiro. Entre 1908 e 1919 a sociedade Benzinhos & Ribeiros exploraram este edifício enquanto unidade conserveira. Em 1919 é tomado de trespasse por Mathias Perienes, juntamente com um escritório na Avenida Luísa Todi e um armazém na ladeira de São Sebastião. Em 1929 é lavrada a escritura da sociedade M. Perienes Lda. que laborou até setembro de 1971. O edifício foi adquirido em 1991 pela Câmara Municipal de Setúbal com o objetivo de instalar definitivamente o Museu do Trabalho Michel Giacometti, que só viria a inaugurar em 1995.
Horário
Verão (1 de junho a 15 de setembro)

Terça a sexta-feira, das 09h30 às 18h00
Sábado, das 15h00 às 19h00
Encerra aos domingos, segundas e feriados

Inverno (16 de setembro a 31 de maio)

Terça a sexta-feira, das 09h30 às 18h00
Sábado e domingo, das 14h00 às 18h00
Encerra às segundas e feriados

Centro de Documentação

O Centro de Documentação do Museu do Trabalho Michel Giacometti tem como principal objetivo salvaguardar, preservar e divulgar o acervo documental deste espaço museológico. Realiza a pesquisa, recolha e sistematização de documentação existente sobre temas como museologia, trabalho, costumes, tradições, memórias, indústria, antropologia, história e educação, incluindo estudo e investigação sobre o património local.

Serviços

  • Acolhimento e referência
    Este serviço assume as funções de acolher, informar, formar e orientar os utilizadores sobre a utilização dos recursos e serviços de informação, para fins de estudo ou investigação, promovendo um acesso eficaz à informação solicitada. Pode ser utilizado presencialmente ou através de telefone e de correio eletrónico
  • Consulta presencial de documentos
  • Regime de livre acesso às estantes
    Os utilizadores, mediante o preenchimento de uma requisição, podem consultar os documentos em estantes. Existem outros que se encontram reservados, quer pelo seu teor, como também pela sua necessidade de preservação. Contudo, acautelando os procedimentos necessários, podem ser disponibilizados, para consulta presencial
  • Difusão de informação
    O Centro de Documentação faculta dossiers temáticos e envia informação bibliográfica por correio eletrónico
  • Pesquisa no catálogo bibliográfico e em outras bases de dados nomeadamente na PORBASE – Base Nacional de Dados Bibliográficos
  • Catálogo Bibliográfico Online
    O Catálogo Bibliográfico está disponível online e permite ao utilizador efetuar pesquisas sobre toda a documentação disponível no Centro de Documentação
  • Reprodução de documentos
    A reprodução de documentos respeita a legislação sobre direitos de autor e direitos conexos e aplica a tabela de tarifas em vigor fixadas pela Câmara Municipal de Setúbal
Contactos

Qualquer questão ou pedido devem ser feitos junto dos seguintes contactos

maria.heleno@mun-setubal.pt | ana.stoyanoff@mun-setubal.ptmuseu.trabalho@mun-setubal.pt
Telf.: 265 537 880 | Fax: 265 537 889

Horário

Terça a sexta-feira
Das 09h30 às 12h30 e das 14h00 às 17h30

Espaço museológico municipal, ao qual se atribui o local de nascimento de Manuel Maria Barbosa du Bocage, em 1765.

Apresenta a exposição de longa duração “Bocage – Polémico. Discutido. Genial”, que percorre a cronologia bocagiana, começando na família do poeta e terminando na forma como foi visto e interpretado após a morte, em 1805, aos 40 anos de idade.

A mostra está complementada com suportes media audiovisuais e um friso cronológico com referência aos principais acontecimentos que marcaram o mundo ao longo da vida de Bocage, que permitem uma melhor compreensão e interpretação das ações e estados de espírito do poeta nas diferentes fases por que passou.

No equipamento cultural funciona o Centro de Documentação e o Arquivo Fotográfico Américo Ribeiro (pedidos de pesquisas e imagens digitais em arquivo.americoribeiro@mun-setubal.pt), serviços que conservam parte significativa da história moderna do concelho de Setúbal.

Além da mostra e de objetos dedicados a Bocage, o espaço acolhe com regularidade outras exposições e iniciativas culturais de caráter bocagiano ou sobre outras temáticas.

Desde a conclusão do projeto de requalificação que beneficiou em 2016, a Casa Bocage ostenta no pátio exterior um painel azulejar oferecido pela Galeria Ratton e criado pelo artista plástico Andreas Stöcklein no âmbito de uma intervenção artística no Túnel do Quebedo, concretizada também naquele ano.

Serviços

  • Arquivo Fotográfico Américo Ribeiro
  • Centro de Documentação Bocagiano (ligado pela Internet a bibliotecas e centros de estudo)
Horário
Verão (1 de junho a 15 de setembro)

Terça a sexta-feira, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
Sábado, das 15h00 às 19h00
Encerra aos domingos, segundas e feriados

Inverno (16 de setembro a 31 de maio)

Terça a sexta-feira, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
Sábado, das 14h00 às 18h00
Encerra aos domingos, segundas e feriados

Preços

1,50 € | Gratuito para menores de 16 anos, maiores de 65 e grupos escolares

Contactos

Rua Edmond Bartissol, n.º 12
Telf.: 265 229 255

Em fevereiro de 2016, no âmbito das Comemorações dos 250 Anos do Nascimento de Bocage, a Câmara Municipal de Setúbal, em colaboração com o investigador Daniel Pires, do Centro de Estudos Bocageanos, publicou o Índice Biobibliográfico de Bocage – Coleções Documentais da Casa Bocage, Biblioteca Pública, Museus e Arquivo Municipal de Setúbal.

Este índex apresenta-se como um dos mais úteis pontos de partida existentes para investigações sobre o poeta setubalense. A versão digital do documento, em formato ebook, pode ser consultada na janela seguinte, sendo que a versão em plataforma web está disponível nesta ligação.

A Casa do Corpo Santo foi erguida em 1714 junto de um troço da muralha trecentista de Setúbal, que constitui a parede nascente do edifício.

A designação provém do nome do santo protetor da Confraria dos Navegantes da cidade, que aí esteve instalada durante séculos. O patrono era São Pedro Gonçalves (ou González) Telmo, protetor dos náufragos, frade dominicano, nascido em Castela no século XII e beatificado no século XIII, conhecido por Corpo Santo.

A casa tem diversos conjuntos de azulejos barrocos da autoria do mestre P.M.P., sendo ainda de destacar os tetos com pinturas setecentistas e a talha dourada da capela, em estilo nacional.

Acolhe atualmente o Museu do Barroco, um dos núcleos do Museu de Setúbal/Convento de Jesus, e ainda uma exposição de longa duração de instrumentos de ciência Náutica doados por Ireneu Cruz.

Horário
Verão (1 de junho a 15 de setembro)

Terça a sexta-feira, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
Sábados, das 15h00 às 19h00
Encerra aos domingos, segundas e feriados

Inverno (16 de setembro a 31 de maio)

Terça a sexta-feira, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
Sábados, das 14h00 às 18h00
Encerra aos domingos, segundas e feriados

Preços

1,50 € | Gratuito para menores de 16 anos, maiores de 65 e para grupos escolares

Contactos

Rua do Corpo Santo, n.º 7
Telf.: 265 236 066

Parte do polo expositor do Museu de Setúbal/Convento de Jesus encontra-se a funcionar na Galeria Municipal do Banco de Portugal, espaço recuperado e adaptado pela autarquia para acolher eventos culturais, nomeadamente exposições.

A funcionar como galeria municipal desde setembro de 2013, o edifício foi a representação do Banco de Portugal em Setúbal entre 1917 e 1994.

A arquitetura, da autoria de Arnaldo Adães Bermudes, apresenta influências de Arte Nova e foi um símbolo do poder financeiro distrital durante o período em que acolheu, inicialmente, a correspondência, e, posteriormente, a agência em Setúbal do banco.

Exposições de longa duração
“Tesouros do Museu de Setúbal/Convento de Jesus” Apresentação de obras representativas da diversidade cronológica e temática do acervo do museu. Inclui arte sacra (artes plásticas e decorativas), de entre a qual sobressai o retábulo de pintura da Igreja do Convento de Jesus, datado da primeira metade do século XVI, arte contemporânea (pintura e escultura), dos séculos XIX e XX, e achados arqueológicos.
“Antimonumentos”
Total de 21 esculturas de Virgílio Domingues, pertencentes a um espólio que o artista doou à cidade.
“Arte e Cultura Partilham-se - Três Pinturas da Coleção Novo Banco'
Exposição de “Os Músicos”, do Morgado de Setúbal, “Último Ancoradouro, Tejo”, de João Vaz, e “Barco em Terra”, de Silva Porto, da Coleção Novo Banco.

Horário

Terça a sexta-feira, das 11h00 às 14h00 e das 15h00 às 18h00
Sábado, das 11h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00
Domingo, das 14h00 às 18h00
Encerrado às segundas e feriados

Preços

1,50 € | Gratuito para menores de 16 anos, maiores de 65 e grupos escolares

Contactos

Avenida Luísa Todi, n.º 119

Espaço de exposições temporárias, localizado no antigo Quartel do Regimento da Infantaria 11, edifício adquirido pela Câmara Municipal ao Turismo de Portugal e que, desde 2013, após obras de requalificação do imóvel, integra, juntamente com o espaço expositivo, a Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal.

A Galeria Municipal do 11 abriu ao público em março de 2013, com uma exposição de homenagem ao treinador setubalense José Mourinho.

As obras de requalificação do Quartel do 11 incluíram a preservação de vários elementos que integravam as instalações da antiga bataria militar, como fachadas e arcadas.

O projeto contemplou, ainda, a recuperação de algumas estruturas do Baluarte da Conceição, construído em 1692, durante o reinado de D. Pedro II, equipamento que integrava a antiga muralha defensiva de Setúbal.

Horário

Terça a sexta-feira, das 11h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00
Sábado, das 14h00 às 18h00
Encerra aos domingos, segundas e feriados

Contactos

Avenida Luísa Todi, n.º 5
Telf.: 910 040 402

Datas Comemorativas

Dia Internacional dos Museus…

18 DE MAIO

O Dia Internacional dos Museus é anualmente celebrado em milhares de instituições museológicas, em todo o mundo, desde 1977, com cada vez mais adesões a cada ano que passa.

O ICOM – Conselho Internacional de Museus define o tema que deverá nortear a reflexão e mobilização dos espaços museológicos e apela à participação nas iniciativas das estruturas nacionais e locais. A entrada é gratuita.

… e a NOITE DOS MUSEUS

(Sábado posterior ao Dia Internacional dos Museus)

Esta iniciativa nasce em França, por iniciativa do ministério da Cultura.

A primeira designação foi Primavera dos Museus, em 2001, tendo sido posteriormente adaptada a noite dos museus para que os públicos pudessem vivenciar um museu à noite, com um leque variado e gratuito de atividades fora de horas.

Em 2016 a iniciativa mobilizou mais de três mil espaços museológicos em 30 países diferentes.

Jornadas Europeias do Património

As Jornadas Europeias do Património são uma iniciativa anual do Conselho da Europa e da União Europeia que envolve mais de 50 países na sensibilização dos povos europeus para a importância da salvaguarda do património.

Neste sentido, cada país elabora anualmente um programa de atividades a nível nacional, a realizar em setembro, acessível ao público gratuitamente.

A ideia base da iniciativa é promover o acesso aos monumentos e sítios, convidando à participação ativa na descoberta de uma herança cultural comum, implicando o envolvimento dos cidadãos europeus com o património cultural.

Os objetivos principais são reforçar os sentimentos de identidade cultural, de memória coletiva e de afirmação de um património comum cuja riqueza reside na sua diversidade.

As Jornadas Europeias do Património representam, por isso, uma celebração da solidariedade internacional, do diálogo e da diversidade culturais, constituindo momentos de reapropriação dos vestígios culturais do passado.