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O património histórico e cultural de Setúbal é rico e variado.

Os museus e galerias de exposições do concelho têm merecido atenção especial, sendo hoje equipamentos renovados, requalificados e modernizados, sem que, nesse processo, tenham perdido a essência da identidade setubalense.

O mundo está presente nos museus e galerias do concelho, porque Setúbal é ela própria um mundo a descobrir.

Museu ao Seu Encontro

No final desta página o variado acervo que preenche os espaços museológicos de Setúbal vai ter consigo diretamente ao seu computador, telemóvel ou tablet.

Faça uma viagem pela história do concelho, peça a peça…

O Museu de Setúbal/Convento de Jesus encontra-se temporariamente encerrado por motivos de obras de requalificação

Além do apelo estético do monumento, bem patente no centro da cidade, na Praça Miguel Bombarda, o Convento e a Igreja de Jesus constituem verdadeiros marcos na história arquitetónica portuguesa, assinalando o início do estilo manuelino.

O projeto nasceu no final do século XV, quando Justa Rodrigues Pereira – ama de D. Manuel I – envidou esforços junto do Vaticano e da corte real para a construção de um convento no terreno conhecido, na época, por sapal de Troino.

As obras, iniciadas em 1490 e, ao que tudo indica, terminadas em 1496, foram conduzidas por Diogo Boitaca, nome que acabaria por ser uma referência do manuelino, assinando trabalhos em monumentos como o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém e o Mosteiro da Batalha.

A Igreja de Jesus, segundo registos bibliográficos, é considerada como o primeiro ensaio em Portugal de igreja-salão, projetada como um espaço unitário e isótropo, ou seja, homogeneamente iluminado.

No Convento de Jesus recorre-se, quase em estreia, a soluções inovadoras para época, como os arcos de volta perfeita, abobadas assentes sobre arcos abatidos e redes de nervuras.

O arranque das obras reveste-se de um dado curioso. Em 1491, um ano após o início dos trabalhos, D. João II desloca-se a Setúbal para fazer uma novena e assistir à primeira missa rezada no lugar destinado ao futuro templo. Na ocasião já estavam abertos os alicerces e construídos a portaria e o dormitório do convento, mas o monarca revelou desagrado em relação às dimensões da igreja, reduzidas para o seu gosto. Nesse mesmo ano repete-se a cerimónia de lançamento da primeira pedra, durante a qual D. João II, mestre Boitaca e Justa Pereira mediram, eles próprios, o comprimento e largura do claustro do convento, desta feita já com os ajustes incluídos.

Em 1888, com a extinção das ordens religiosas, o edifício é convertido no Hospital da Misericórdia, que ali funcionou até 1959.

Museu

O Museu de Setúbal funciona no Convento de Jesus desde 1961.

À coleção do Museu de Setúbal/Convento de Jesus pertencem os principais tesouros artísticos da cidade. Entre esses tesouros incluem-se os 14 painéis do Retábulo da Igreja de Jesus, conhecidos por “Primitivos de Setúbal” e em exposição na Galeria Municipal do Banco de Portugal. O retábulo é considerado por especialistas como um dos conjuntos mais representativos do período renascentista português.

A Igreja de Jesus, assim como o claustro e a Casa do Capítulo do Convento, estão classificados como monumentos nacionais desde 1910 e 1933.

O Museu de Setúbal/Convento de Jesus pode ser contactado através do número 913 872 952

A responsabilidade assumida com a vinda da coleção etnográfica de Michel Giacometti para Setúbal motivou a criação de um museu que falasse sobre o mundo do Trabalho.

Antes, a coleção – um conjunto de alfaias agrícolas e instrumentos e ferramentas do quotidiano rural, recolhido durante o Serviço Cívico Estudantil em 1975 e doado a Setúbal em 1987 – deu origem, neste mesmo ano, à criação de uma sala de exposições no Convento de Jesus.

A exposição da coleção etnográfica entra em itinerância pelo país, mas deixando premente a necessidade de se constituir um museu que a albergasse.

Este desejo configura-se possível em 1991, com a aquisição pela Câmara Municipal de Setúbal da fábrica de conservas Perienes, unidade fabril extinta em 1971.

O Museu do Trabalho Michel Giacometti abre, assim, as portas ao público em 1995, após a transformação da fábrica Perienes em espaço museológico autárquico.

O museu dedicado ao mundo do trabalho foi pensado para refletir os três setores da economia.

O Primário está patente no mundo rural expresso na coleção etnográfica de Michel Giacometti. O Secundário materializa-se no aproveitamento da história do próprio edifício onde foi instalado, a unidade fabril de produção de conservas, representativa do universo industrial e da transformação.

O ciclo exibitivo do Museu do Trabalho Michel Giacometti ficou completo em 2002, com a Mercearia Liberdade, representante do setor Terciário, do comércio e serviços.

O Edifício
A zona onde está implantado o edifício da fábrica Perienes é, desde finais do século XIX, referida como um espaço industrial conserveiro. Entre 1908 e 1919 a sociedade Benzinhos & Ribeiros exploraram este edifício enquanto unidade conserveira. Em 1919 é tomado de trespasse por Mathias Perienes, juntamente com um escritório na Avenida Luísa Todi e um armazém na ladeira de São Sebastião. Em 1929 é lavrada a escritura da sociedade M. Perienes Lda. que laborou até setembro de 1971. O edifício foi adquirido em 1991 pela Câmara Municipal de Setúbal com o objetivo de instalar definitivamente o Museu do Trabalho Michel Giacometti, que só viria a inaugurar em 1995.
Horário
Verão (1 de junho a 15 de setembro)

Terça a sexta-feira, das 09h30 às 18h00
Sábado, das 15h00 às 19h00
Encerra aos domingos, segundas e feriados

Inverno (16 de setembro a 31 de maio)

Terça a sexta-feira, das 09h30 às 18h00
Sábado e domingo, das 14h00 às 18h00
Encerra às segundas e feriados

Centro de Documentação

O Centro de Documentação do Museu do Trabalho Michel Giacometti tem como principal objetivo salvaguardar, preservar e divulgar o acervo documental deste espaço museológico. Realiza a pesquisa, recolha e sistematização de documentação existente sobre temas como museologia, trabalho, costumes, tradições, memórias, indústria, antropologia, história e educação, incluindo estudo e investigação sobre o património local.

Serviços

  • Acolhimento e referência
    Este serviço assume as funções de acolher, informar, formar e orientar os utilizadores sobre a utilização dos recursos e serviços de informação, para fins de estudo ou investigação, promovendo um acesso eficaz à informação solicitada. Pode ser utilizado presencialmente ou através de telefone e de correio eletrónico
  • Consulta presencial de documentos
  • Regime de livre acesso às estantes
    Os utilizadores, mediante o preenchimento de uma requisição, podem consultar os documentos em estantes. Existem outros que se encontram reservados, quer pelo seu teor, como também pela sua necessidade de preservação. Contudo, acautelando os procedimentos necessários, podem ser disponibilizados, para consulta presencial
  • Difusão de informação
    O Centro de Documentação faculta dossiers temáticos e envia informação bibliográfica por correio eletrónico
  • Pesquisa no catálogo bibliográfico e em outras bases de dados nomeadamente na PORBASE – Base Nacional de Dados Bibliográficos
  • Catálogo Bibliográfico Online
    O Catálogo Bibliográfico está disponível online e permite ao utilizador efetuar pesquisas sobre toda a documentação disponível no Centro de Documentação
  • Reprodução de documentos
    A reprodução de documentos respeita a legislação sobre direitos de autor e direitos conexos e aplica a tabela de tarifas em vigor fixadas pela Câmara Municipal de Setúbal
Contactos

Qualquer questão ou pedido devem ser feitos junto dos seguintes contactos

maria.heleno@mun-setubal.pt | ana.stoyanoff@mun-setubal.ptmuseu.trabalho@mun-setubal.pt
Telf.: 265 537 880 | Fax: 265 537 889

Horário

Terça a sexta-feira
Das 09h30 às 12h30 e das 14h00 às 17h30

Espaço museológico municipal, ao qual se atribui o local de nascimento de Manuel Maria Barbosa du Bocage, em 1765.

Apresenta a exposição de longa duração “Bocage – Polémico. Discutido. Genial”, que percorre a cronologia bocagiana, começando na família do poeta e terminando na forma como foi visto e interpretado após a morte, em 1805, aos 40 anos de idade.

A mostra está complementada com suportes media audiovisuais e um friso cronológico com referência aos principais acontecimentos que marcaram o mundo ao longo da vida de Bocage, que permitem uma melhor compreensão e interpretação das ações e estados de espírito do poeta nas diferentes fases por que passou.

No equipamento cultural funciona o Centro de Documentação e o Arquivo Fotográfico Américo Ribeiro (pedidos de pesquisas e imagens digitais em arquivo.americoribeiro@mun-setubal.pt), serviços que conservam parte significativa da história moderna do concelho de Setúbal.

Além da mostra e de objetos dedicados a Bocage, o espaço acolhe com regularidade outras exposições e iniciativas culturais de caráter bocagiano ou sobre outras temáticas.

Desde a conclusão do projeto de requalificação que beneficiou em 2016, a Casa Bocage ostenta no pátio exterior um painel azulejar oferecido pela Galeria Ratton e criado pelo artista plástico Andreas Stöcklein no âmbito de uma intervenção artística no Túnel do Quebedo, concretizada também naquele ano.

Serviços

  • Arquivo Fotográfico Américo Ribeiro
  • Centro de Documentação Bocagiano (ligado pela Internet a bibliotecas e centros de estudo)
Horário
Verão (1 de junho a 15 de setembro)

Terça a sexta-feira, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
Sábado, das 15h00 às 19h00
Encerra aos domingos, segundas e feriados

Inverno (16 de setembro a 31 de maio)

Terça a sexta-feira, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
Sábado, das 14h00 às 18h00
Encerra aos domingos, segundas e feriados

Preços

1,50 € | Gratuito para menores de 16 anos, maiores de 65 e grupos escolares

Contactos

Rua Edmond Bartissol, n.º 12
Telf.: 265 229 255

Em fevereiro de 2016, no âmbito das Comemorações dos 250 Anos do Nascimento de Bocage, a Câmara Municipal de Setúbal, em colaboração com o investigador Daniel Pires, do Centro de Estudos Bocageanos, publicou o Índice Biobibliográfico de Bocage – Coleções Documentais da Casa Bocage, Biblioteca Pública, Museus e Arquivo Municipal de Setúbal.

Este índex apresenta-se como um dos mais úteis pontos de partida existentes para investigações sobre o poeta setubalense. A versão digital do documento, em formato ebook, pode ser consultada na janela seguinte, sendo que a versão em plataforma web está disponível nesta ligação.

A Casa do Corpo Santo foi erguida em 1714 junto de um troço da muralha trecentista de Setúbal, que constitui a parede nascente do edifício.

A designação provém do nome do santo protetor da Confraria dos Navegantes da cidade, que aí esteve instalada durante séculos. O patrono era São Pedro Gonçalves (ou González) Telmo, protetor dos náufragos, frade dominicano, nascido em Castela no século XII e beatificado no século XIII, conhecido por Corpo Santo.

A casa tem diversos conjuntos de azulejos barrocos da autoria do mestre P.M.P., sendo ainda de destacar os tetos com pinturas setecentistas e a talha dourada da capela, em estilo nacional.

Acolhe atualmente o Museu do Barroco, um dos núcleos do Museu de Setúbal/Convento de Jesus, e ainda uma exposição de longa duração de instrumentos de ciência Náutica doados por Ireneu Cruz.

Horário
Verão (1 de junho a 15 de setembro)

Terça a sexta-feira, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
Sábados, das 15h00 às 19h00
Encerra aos domingos, segundas e feriados

Inverno (16 de setembro a 31 de maio)

Terça a sexta-feira, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
Sábados, das 14h00 às 18h00
Encerra aos domingos, segundas e feriados

Preços

1,50 € | Gratuito para menores de 16 anos, maiores de 65 e para grupos escolares

Contactos

Rua do Corpo Santo, n.º 7
Telf.: 265 236 066

Parte do polo expositor do Museu de Setúbal/Convento de Jesus encontra-se a funcionar na Galeria Municipal do Banco de Portugal, espaço recuperado e adaptado pela autarquia para acolher eventos culturais, nomeadamente exposições.

A funcionar como galeria municipal desde setembro de 2013, o edifício foi a representação do Banco de Portugal em Setúbal entre 1917 e 1994.

A arquitetura, da autoria de Arnaldo Adães Bermudes, apresenta influências de Arte Nova e foi um símbolo do poder financeiro distrital durante o período em que acolheu, inicialmente, a correspondência, e, posteriormente, a agência em Setúbal do banco.

Exposições de longa duração
“Tesouros do Museu de Setúbal/Convento de Jesus” Apresentação de obras representativas da diversidade cronológica e temática do acervo do museu. Inclui arte sacra (artes plásticas e decorativas), de entre a qual sobressai o retábulo de pintura da Igreja do Convento de Jesus, datado da primeira metade do século XVI, arte contemporânea (pintura e escultura), dos séculos XIX e XX, e achados arqueológicos.
“Antimonumentos”
Exposição de esculturas de Virgílio Domingues, pertencentes a um espólio que o artista doou à cidade.
“Arte e Cultura Partilham-se - Três Pinturas da Coleção Novo Banco'
Exposição de “Os Músicos”, do Morgado de Setúbal, “Último Ancoradouro, Tejo”, de João Vaz, e “Barco em Terra”, de Silva Porto, da Coleção Novo Banco.

Horário

Terça a sexta-feira, das 11h00 às 14h00 e das 15h00 às 18h00
Sábado, das 11h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00
Domingo, das 14h00 às 18h00
Encerrado às segundas e feriados

Preços

1,50 € | Gratuito para menores de 16 anos, maiores de 65 e grupos escolares

Contactos

Avenida Luísa Todi, n.º 119
Telf.: 913 213 920

Espaço de exposições temporárias, localizado no antigo Quartel do Regimento da Infantaria 11, edifício adquirido pela Câmara Municipal ao Turismo de Portugal e que, desde 2013, após obras de requalificação do imóvel, integra, juntamente com o espaço expositivo, a Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal.

A Galeria Municipal do 11 abriu ao público em março de 2013, com uma exposição de homenagem ao treinador setubalense José Mourinho.

As obras de requalificação do Quartel do 11 incluíram a preservação de vários elementos que integravam as instalações da antiga bataria militar, como fachadas e arcadas.

O projeto contemplou, ainda, a recuperação de algumas estruturas do Baluarte da Conceição, construído em 1692, durante o reinado de D. Pedro II, equipamento que integrava a antiga muralha defensiva de Setúbal.

Horário

Terça a sexta-feira, das 11h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00
Sábado, das 14h00 às 18h00
Encerra aos domingos, segundas e feriados

Contactos

Avenida Luísa Todi, n.º 5
Telf.: 913 794 372

Datas Comemorativas

Dia Internacional dos Museus…

18 DE MAIO

O Dia Internacional dos Museus é anualmente celebrado em milhares de instituições museológicas, em todo o mundo, desde 1977, com cada vez mais adesões a cada ano que passa.

O ICOM – Conselho Internacional de Museus define o tema que deverá nortear a reflexão e mobilização dos espaços museológicos e apela à participação nas iniciativas das estruturas nacionais e locais. A entrada é gratuita.

… e a NOITE DOS MUSEUS

(Sábado posterior ao Dia Internacional dos Museus)

Esta iniciativa nasce em França, por iniciativa do ministério da Cultura.

A primeira designação foi Primavera dos Museus, em 2001, tendo sido posteriormente adaptada a noite dos museus para que os públicos pudessem vivenciar um museu à noite, com um leque variado e gratuito de atividades fora de horas.

Em 2016 a iniciativa mobilizou mais de três mil espaços museológicos em 30 países diferentes.

Jornadas Europeias do Património

As Jornadas Europeias do Património são uma iniciativa anual do Conselho da Europa e da União Europeia que envolve mais de 50 países na sensibilização dos povos europeus para a importância da salvaguarda do património.

Neste sentido, cada país elabora anualmente um programa de atividades a nível nacional, a realizar em setembro, acessível ao público gratuitamente.

A ideia base da iniciativa é promover o acesso aos monumentos e sítios, convidando à participação ativa na descoberta de uma herança cultural comum, implicando o envolvimento dos cidadãos europeus com o património cultural.

Os objetivos principais são reforçar os sentimentos de identidade cultural, de memória coletiva e de afirmação de um património comum cuja riqueza reside na sua diversidade.

As Jornadas Europeias do Património representam, por isso, uma celebração da solidariedade internacional, do diálogo e da diversidade culturais, constituindo momentos de reapropriação dos vestígios culturais do passado.

Através do projeto “Museu ao Seu Encontro”, o acervo dos equipamentos museológicos do concelho de Setúbal pode ser apreciado com detalhe.

Objetos e obras de arte expostos em diferentes espaços culturais setubalenses vão sendo disponibilizadas nesta página periodicamente.

Cada peça é ilustrada com uma imagem, na qual basta clicar para ampliar, e, a acompanhar, legendas contextualizam o que se está a apreciar.

Faça connosco uma viagem, peça a peça, às memórias de Setúbal

Museu ao Seu Encontro | Cantil de enfermaria
Cantil de enfermaria

Proveniente de escavações arqueológicas no Convento de Jesus em 2013/14
Cerâmica com elementos não plásticos na pasta
Datação: Século XVII/XVIII
Dimensões: 14cm x 13,5cm
Museu de Setúbal/Convento de Jesus, CJ/13/14/11572

Esta peça em cerâmica foi produzida com uma argila misturada com grande quantidade de elementos não plásticos, sílica e muitos grãos de quartzo leitoso, que são igualmente elementos decorativos.
Este cantil não tem fundo e a sua forma é côncava para permitir dar de beber às freiras que estivessem acamadas.

Museu ao Seu Encontro | Ecce Homo | Museu de Setúbal/Convento de Jesus, MS/CJ 99/PR.99
Ecce Homo

Escola Portuguesa
Têmpera sobre madeira de carvalho do báltico
Séc. XVI (2.º quartel)
86,1cmx63,7cm
Museu de Setúbal/Convento de Jesus, MS/CJ 99/PR.99

Ecce Homo, expressão em latim, que significa “Eis o Homem”, atribuída (no Evangelho segundo São João/Novo Testamento/Bíblia) a Pôncio Pilatos, o governador romano da Judeia que interrogou Cristo antes de este ser crucificado. Segundo o relato bíblico, Pilatos terá tentado evitar a morte de Jesus mandando-o açoitar, após o que o apresentou ao povo:“Ecce Homo”. Na pintura, ao longo dos séculos, foram muitas e variadas as representações de Jesus ferido, atado e com a coroa de espinhos. Muitas vezes aparece em composições com outros personagens, mas frequentemente é representado sozinho com fundo neutro, privilegiando os valores espiritual e simbólico da mensagem em detrimento da narrativa de cena. Esta pintura, em específico, segue um modelo de imagem icónica da figura de Cristo, evocativa dos seus padecimentos e do seu papel de redentor, muito semelhante a outras duas pinturas, também portuguesas, que se encontram, respetivamente, no Museu Regional de Beja e no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Todas as três pertenceram a conventos da Reforma de Santa Coleta, da Ordem de Santa Clara, como foi o caso do Convento de Jesus de Setúbal.

Estudo da cabeça da estátua de Bocage
Estudo para a cabeça da Estátua de Bocage e de Senhora com Putti (frente e verso)

Desenho a grafite sobre papel, Pedro Carlos dos Reis (Lisboa, 1819 – 1893), 21,2×31,6cm, Sem data (Séc. XIX/ 2.ª metade)
Museu de Setúbal/Convento de Jesus, MS/CJ 3046/D.159

Pedro Carlos dos Reis foi o autor do projeto da estátua do poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage, que se encontra, desde 1871, ao centro da principal praça urbana de Setúbal, a Praça de Bocage. Esta estátua foi paga com o provento de uma subscrição pública, realizada em Portugal e no Brasil, e a sua inauguração teve especial importância para a cidade, dada a relevância do poeta na poesia nacional. Este desenho apresenta um provável estudo para a cabeça da estátua. O artista escreveu, inclusive, o nome de “Bocage” junto do rosto desenhado. Contudo, a inscrição no canto superior direito já não é da sua autoria, tendo sido acrescentada mais tarde por algum familiar. Feito o projeto, o esculpir da pedra coube ao canteiro Germano José de Salles, em Lisboa. O Museu de Setúbal detém um amplo espólio de Pedro Carlos dos Reis, destacando-se (em número) estudos e esquissos de trabalhos diversos. Muitos ocupam ambos os lados das folhas com motivos distintos, tal como acontece com o exemplar aqui reproduzido. O espólio inclui outros estudos da cabeça de Bocage, todos diferentes entre si.

Bitácula com agulha de marear – Início do séc. XX

Latão/bronze, vidro, esferas em ferro maciço e com base de madeira exótica (teca)
Fabricante: Plath Geomar, Madrid, Agulha Garraio, Lisboa, n.º 2555
N.º Inv. 1/C.N./M.T.M.G.

Bitácula, do latim “habitaculum”, a casa da agulha (de marear), é uma caixa fixa colocada à ré, junto do posto do timoneiro e que suporta o morteiro, caixa metálica com a “rosa dos ventos” e a agulha.
É composta, ainda, pela coluna de madeira, que, fixada ao convés, suporta o morteiro. Ambos são cobertos por um vidro, permitindo a leitura. O conjunto está resguardado pelo capitel, cúpula ou capacete, em latão.
A bitácula tem fixado lateralmente a “griseta” (foco de iluminação, outrora uma vela ou reservatório de azeite), para se consultar o rumo à noite, e a “linha de fé”, gravada no morteiro e que assinalava a proa. Nos lados da bitácula estão acoplados os “corretores de desvio quadrantal”: duas esferas de ferro (ou esferas de Thomson). A bombordo, pintada de vermelho; a estibordo, de verde. A vante, do lado da proa, está a barra de Flinders, para neutralização do magnetismo vertical. O cilindro que recobre esta barra podia guardar a carta de marear. Sob o capacete está fixado o clinómetro, com escala graduada, pela qual se media a inclinação do navio.

Dia Internacional dos Museus | 18 de Maio

Museu ao Seu Encontro | Prato em faiança portuguesa
Prato de faiança portuguesa

Museu de Setúbal/Convento de Jesus. N.º Inventário: CJ08 AVE-1 10547
Proveniente de escavações arqueológicas no Convento de Jesus em 2008.
Faiança Portuguesa. Cerâmica vidrada a azul e branco com linhas a tom vinhoso.
Datação de 1660-1700
Dimensões: Diâmetro 31cm

Prato quase completo de faiança portuguesa com decoração. No fundo tem um medalhão formado por círculos concêntricos a vinhoso e um a azul, uma cena bucólica de inspiração chinesa com elementos fitomórficos e arquitetónicos de contorno a vinhoso e preenchimento a azul e um busto feminino muito estilizado.

Pintura da Praça de Bocage | Luciano Santos
Setúbal - Praça de Bocage | Luciano Santos

Pintura a óleo sobre contraplacado, Luciano dos Santos (Setúbal, 1911 – Lisboa, 2006), 1952, 61,5×69,2 cm
Museu de Setúbal/Convento de Jesus, MS/CJ 1874/PP.183

Representação da principal Praça de Setúbal, tal como era na década de 50 do séc. XX. Na época, a estátua do poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage enquadrava-se ao centro de uma placa em calçada portuguesa de formato oval. Ao redor estacionavam e circulavam os automóveis. O casario, a Igreja de São Julião, os transeuntes, a passagem entre a Praça e a Avenida Luísa Todi e o vislumbre do rio Sado, ao longe, na linha do horizonte, completam a pintura. Entre outras obras de Luciano dos Santos, inspiradas na região, destaca-se o Tríptico dos Setubalenses Ilustres, pintado a óleo sobre tela, entre 1955 e 1957, especialmente para o Salão Nobre dos Paços do Concelho, onde ainda é possível ser admirado.

S. Paulo Eremita, Paulo de Tebas ou Paulo, o egípcio († 347dC)

Segundo o naturalista setubalense Luis Gonzaga do Nascimento (1882-1970) a imagem, exposta na Casa do Corpo Santo – Museu do Barroco, é proveniente do convento franciscano setubalense de Brancanes. Trata-se de obra da Escola Espanhola, do século XVII, provavelmente executada por um discípulo do escultor granadino Pedro de Mena y Medrano [1628 -1688]. A escultura, de madeira estofada e policromada, considerada “uma obra de excecional valia […] impressiona o espetador pelo rigoroso modelado dos braços, das mãos e da cabeça e pela interioridade expressiva dos gestos e do rosto e ainda pelo sábio contraste, deliberadamente procurado entre a força interior da personagem que aqueles elementos transmitem e o despojamento de bens materiais que ele evoca” (F. A. Baptista Pereira). As incisões que formam o padrão da túnica vestida pelo santo representam as folhas de palmeira com que aquela – segundo a tradição – fora confecionada.

Calvário (Retábulo da Igreja do Convento de Jesus de Setúbal)

Pintura a óleo sobre madeira de carvalho (255×155 cm) atribuída a Jorge Afonso (Oficina de Lisboa), cerca 1517/19 – 1530

Esta pintura integra a série da Paixão de Cristo do Retábulo (constituído por 14 painéis pintados) para a Capela-mor da Igreja do Convento de Jesus.
Jorge Afonso, a quem o Retábulo é atribuído, foi nomeado pintor régio em 1508. A sua oficina revestiu-se da maior importância e a sua ação, enquanto mestre, examinador e avaliador das obras de pintura reais, foi preponderante na pintura portuguesa da primeira metade do século XVI. O Retábulo da Igreja do Convento de Jesus de Setúbal inclui-se na melhor pintura portuguesa da época.
O grupo de figuras da esquerda, constituído pela Mãe de Jesus, São João Evangelista, Maria Madalena e outras Santas Mulheres, foi, no último quartel do século XVI, sujeito a um repinte para se adequar às novas normas da Contrarreforma (da Igreja Católica) de representação das cenas bíblicas. Durante o restauro de 1939, e após exames laboratoriais (RX), esse repinte foi retirado devolvendo-se à apreciação de todos a pintura original.
Museu de Setúbal/Convento de Jesus, MS/CJ 7/PR7

Prato com brasão papal

Cerâmica vidrada, de produção italiana denominada Majólica
Século XVI
Proveniente de escavações arqueológicas no Convento de Jesus, 2013/14. Museu de Setúbal/Convento de Jesus, MS/CJ s.n.
As majólicas são cerâmicas porosas e coloridas, de revestimento transparente ou opaco, adornado com reflexos metálicos. Após a pintura, era aplicado um verniz à base de chumbo, capaz de suportar altas temperaturas. Neste prato, alguma da decoração foi aplicada sob o verniz.
Esta rara peça de produção italiana deve ter sido oferecida ao Convento ou à Abadessa. Apresenta um símbolo utilizado pelos Papas da família Médicis. Este brasão corresponde muito provavelmente ao Papa Leão X, com pontificado entre 1513 e 1521.

Funil com asa decorada

Liga de cobre
Século XVII/XVIII
Dimensões: diâmetro 5,2 cm x altura 6,8 cm
Proveniência: Intervenção arqueológica no Convento de Jesus. Inventário: CJ/14/ 11708
Funil encontrado na intervenção arqueológica do Convento de Jesus em níveis de lixeira.
Trata-se de uma peça delicada e de pequenas dimensões, provavelmente utilizada na preparação de medicamentos.

Cabeça de Cavalo

Terracota
Século XVII/XVIII
Dimensões: comprimento 12 cm x largura 7 cm
Proveniência: Intervenção arqueológica no Convento de Jesus. Inventário: CJ/14 /11596
Esta cabeça de cavalo pertenceria a uma figura de presépio e foi encontrada durante a intervenção arqueológica em níveis de lixeira.

Brinco em ouro

ouro
Séculos XVII/XVIII
Dimensões: diâmetro 1,2 cm
Proveniência: intervenção arqueológica no cemitério urbano da Igreja da Anunciada. Inventário: PTB/13
Este brinco de ouro estava associado a um enterramento de uma criança e foi encontrado na intervenção arqueológica realizada no Largo Teófilo Braga (Largo da Cáritas), no antigo cemitério da Igreja da Anunciada. A área envolvente à antiga Igreja da Anunciada, hoje edifício da Cáritas, foi utilizada para enterramentos entre os séculos XV e XVIII.

Ribeiro do Livramento (em Setúbal)

Pintura a óleo sobre tela (31,2×46 cm) da autoria de João Vaz (Setúbal, 1859- Lisboa, 1931).
João Vaz integrou o “Grupo do Leão”, constituído por artistas que se reuniam na Cervejaria Leão de Ouro em Lisboa, na década de 80 do séc. XIX, e que contribuíram para a introdução, divulgação e consolidação do Naturalismo em Portugal.
Nesta pintura desvendamos o aspeto de um troço do Ribeiro do Livramento, antes de ser mandado cobrir por uma Portaria de 1889 (do Ministério das Obras Públicas). Observamos uma das pontes que permitiam a passagem entre as suas margens. Neste caso, a ponte situava-se onde, actualmente, a Avenida 5 de Outubro e a Avenida 22 de Dezembro se encontram.
A jusante identificamos os troços da antiga muralha medieval de Setúbal, que ainda subsistem integrados no casario, como é o caso de uma torre quadrangular e de uma torre hexagonal ao fundo (integrada no edifício da Polícia de Segurança Pública), além da antiga “Porta Nova”, entretanto desaparecida, que se situava no ponto de encontro entre a Rua Augusto Cardoso e a Avenida 22 de Dezembro.
Igualmente identificável é a Ermida da Nossa Senhora do Livramento, localizada à frente da torre hexagonal e posteriormente demolida.
Museu de Setúbal/Convento de Jesus, MS/CJ 135/PP.36

Reclame

Peça do acervo da Casa Bocage. Apresenta uma estampagem sobre folha de flandres, com a imagem de Bocage, datada dos anos 30 e executada pela Sociedade Industrial Setubalense (antiga Fábrica Astoria), um artigo de reclame à própria empresa apresentando os seus serviços e contactos.

Fábrica Astória [Objecto]. – Setúbal : Soc. Ind. Setubalense, [1930?]. – 1 folha de lata : color. ; 45×27 cm.
Coleção Casa Bocage (CB Objeto 14)
DIBIM | DCDJ | Câmara Municipal de Setúbal

Cartaz publicitário

Cartaz publicitário aos “Refrigerantes da fábrica Bocageana”, uma estampagem sobre folha de flandres, executada igualmente pela Soc. Ind. Setubalense.

Refrigerantes da fábrica Bocageana [Objecto]. – Setúbal : Soc. Ind. Setubalense, [1930?]. 1 folha de lata : color. ; 32×25 cm.

Coleção Casa Bocage (CB Objeto 6)

DIBIM | DCDJ | Câmara Municipal de Setúbal

Vendedor de Barquilhos

Vendedor ambulante de Barquilhos na Praia da Figueirinha – Setúbal, [1968?]
Américo Ribeiro

Legenda Centro de Memórias (Rogério Vaz de Carvalho, Rui Farinho e Carlos Velez)
Na imagem encontra-se o Sr. Baltazar, conhecido como Ti Baltazar, que fazia venda de barquilhos na Praia da Figueirinha. Contam-nos as memórias que os barquilhos podiam ser adquiridos de duas formas: ou através da venda individual – na qual os barquilhos são comprados à unidade, ou através do jogo “à americana”, como diria o Sr. Baltazar. O jogo à americana era uma forma de roleta russa, tabuleiro que estava no topo do recipiente dos barquilhos, e o número de barquilhos conquistados dependia do número que saísse na roleta. Rogério Vaz de Carvalho recorda-se que à porta da escola também se jogava à roleta russa para comprar barquilhos, chegando-se inclusivamente a acumular unidades de um dia para o outro.

PT/AFAMR/AMR-15292
Reprodução digital feita a partir de negativo original
Coleção Américo Ribeiro | Arquivo Fotográfico Américo Ribeiro
DIBIM | DCDJ | Câmara Municipal de Setúbal

Vendedor de gelados ambulante

Vendedor de gelados ambulante – aspeto de vendedor e carrinho de gelados na Av. Luísa Todi, 1954
Américo Ribeiro

Nota de Américo Ribeiro: “Antigamente a Avenida Luísa Todi era o ponto de reunião de alguns setubalenses no espaço entre o Arco da Ribeira Velha até perto do quartel do RI 11 [Regimento de Infantaria 11]. Todos os domingos tocava a banda do RI 11 no coreto. As pessoas passeavam na avenida. No local haviam cadeiras de ferro de aluguer oferecidas pelo Sr. Jordão, com oficina de serralharia na Rua Estevão de Vasconcelos onde é hoje a Casa dos Compadres.

PT/AFAMR/AMR-03132439
Reprodução digital feita a partir de negativo original
Coleção Américo Ribeiro | Arquivo Fotográfico Américo Ribeiro
DIBIM | DCDJ | Câmara Municipal de Setúbal

Caixa para armazenamento de biscoitos

Caixa, fabricada em cobre, a qual se acondicionava na dispensa das embarcações. Nela guardavam-se os biscoitos, parte substancial da alimentação dos marinheiros a bordo. A tampa, de bronze, do exemplar exposto, está dotada com junta de chumbo e enroscava-se, acondicionando este mantimento durante as longas viagens, ao abrigo de humidades, mas igualmente de moscas, baratas, larvas e ratos que infestavam os navios. Fechada com cadeado, a respetiva chave ficava na posse única do despenseiro de bordo.

Antiga caixa de biscoitos dispensados aos marinheiros a bordo
[N.º Inv. 73/C.N./M.T.M.G.]

Peça de barro em forma de biscoito - Casa do Corpo Santo

Uma forma de biscoito (c. 20 cm de diâmetro), produzida em barro. Uma grande olaria, com os respetivos fornos, funcionava igualmente em Vale de Zebro (Coina, território integrado, até à segunda metade do século XIX, no extinto concelho de Alhos Vedros), precisamente na Mata da Machada (antiga propriedade do Convento de Nossa Senhora da Luz da Ordem de Cristo, até 1834). Destinava-se esta unidade fabril à produção de moldes, nos quais era colocada a massa alimentícia, para cozedura. Nestas fábricas alimentadas, então, pelas madeiras das matas e pinhais envolventes produzia-se ainda outros utensílios de barro (tijelas, lamparinas, formas de pão de açúcar, panelas, pesos de rede de pesca, louça vidrada), para aquela e demais utilizações.

Espadela e Espadelador

Peças em madeira utilizadas para libertar o linho do resto da cana e das fibras curtas e grosseiras, funcionando em conjunto. A espadela em forma de cutelo, serve para espadelar o linho, batendo repetidamente sobre o molho da planta do linho que se encontra sobre o espadeladouro – peça em formato de T invertido. Trabalham, assim, em conjunto. As espadeladas e fiadas constituíam situações ideais de encontro entre jovens de ambos os sexos, funcionando como prelúdio ou continuação de namoros. Estas ferramentas eram muitas vezes oferecidas e decoradas, como neste caso, com símbolos e legendas amorosas. Foram recolhidas no âmbito do Projeto Cívico Estudantil, pelos jovens, em 1975, sobre a coordenação de Michel Giacometti, em local indeterminado e encontram-se patentes no Museu do Trabalho.

Cravadeira

Máquina que século XX, patente no Museu do Trabalho Michel Giacometti, que revolucionou a Indústria Conserveira, modificando as condições de produção e as relações sociais nas fábricas. As cravadeiras, símbolo da moderna indústria de conservas de peixe, primeiramente movidas a pedal e posteriormente automatizadas. Com este progresso tecnológico, as latas de conservas, que eram fechadas manualmente, passaram a ser fechadas pelas cravadeiras. Estas fechavam centena de latas numa hora, contribuindo deste modo para a extinção da classe de soldadores, responsáveis pelo fecho manual, através da soldadura dos fundos das latas. O processo de cravação consistia na colocação e fixação do fundo à lata cheia de peixe, cravava simultaneamente quatro latas e eram maioritariamente as mulheres que executavam este processo.

Cafeteira (serviço de café com 17 peças)

Porcelana vidrada europeia, Paris/França (Fábrica Lebon-Halley?), 27,2×18,6 cm, Séc. XIX (1º quartel).
Museu de Setúbal/Convento de Jesus, MS/CJ 4925/CR.72

Este serviço de café integra um espólio doado, em 2007, por Maria Manuela Jordão, residente em Leiria. Esse espólio pertenceu a Luiza Rufina de Miranda Todi, bisneta da cantora lírica Luísa Todi. A mãe de Maria Manuela Jordão herdou esses bens de sua irmã que, por sua vez, os herdou após ter servido na casa de Luiza Rufina Todi. Pelo formato e detalhes, atribui-se a sua produção à Fábrica parisiense Lebon-Halley, resultante da junção de duas empresas existentes na época do Consulado e do Império de Napoleão Bonaparte. A última menção conhecida data de 1822. Apesar da relação familiar com a cantora lírica, nascida em Setúbal, não podemos afirmar que este serviço de café tenha pertencido a Luísa Rosa de Aguiar Todi pois no primeiro quartel de oitocentos esta já tinha regressado a Portugal. Além disso, Luiza Rufina de Miranda Todi também herdou bens do seu padrinho (Rufino António de Morais).

Camponeses à Chuva

Gravura (xilogravura) Japonesa, Andō Hiroshige (Edo [atual Tóquio] 1797 – Edo 1858), 24,1×37,1 cm, Séc. XIX (1ª metade).
Museu de Setúbal/Convento de Jesus, MS/CJ 204/Grav.7

Andō Hiroshige foi um dos grandes mestres de ukiyo-e (“imagens do mundo flutuante”), arte extremamente popular que ilustrava a sociedade japonesa da época e que se desenvolveu entre os séculos XVII e XIX. A técnica mais utilizada foi a xilogravura colorida (estampas gravadas sobre matrizes talhadas em madeira). As temáticas eram muito abrangentes, incluindo a figura feminina, o teatro, cenas históricas, lendas, samurais, lutadores, pornografia, a natureza, viagens e paisagens. Foi nestas últimas temáticas que Hiroshige se destacou. Apreciado em França, a partir dos Impressionistas, esta estampa pertenceu à escritora e feminista Olga de Moraes Sarmento que viveu em Paris.

Piquenique | Museu ao Seu Encontro
Piquenique

Pintura a óleo sobre tela (116×89 cm) da autoria de Sarah Affonso (Lisboa, 1899 – 1983), 1918.
Museu de Setúbal/Convento de Jesus, MS/CJ 131/PP.32

Sarah Affonso foi uma artista modernista, com obra de reconhecida importância e qualidade, caracterizada pela originalidade e singularidade do seu estilo.
As suas pinturas inspiraram-se frequentemente nas suas vivências pessoais, inclusive na sua infância, passada em grande parte (até aos 15 anos) em Viana do Castelo (Minho).
Esta pintura integra a coleção doada em 1939 por Olga Morais Sarmento à Câmara Municipal de Setúbal. Recentemente esteve patente na exposição temporária “Sarah Affonso e a Arte Popular do Minho” no Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, em 2019. Encontra-se, neste momento, emprestada e exposta no Palácio da Cidadela de Cascais, sob a responsabilidade do Museu da Presidência da República. Voltará a estar exposta no Museu de Setúbal/Convento de Jesus quando este for reaberto na sua totalidade.

Cristo a ser desatado da coluna depois da flagelação | Museu ao Seu Encontro
Cristo a ser desatado da coluna depois da flagelação

Pintura a óleo sobre madeira de carvalho (269×175,8cm) atribuída a Francisco Venegas (Sevilha, C. 1525 – Lisboa, 1594), 1582.
Museu de Setúbal/Convento de Jesus, MS/CJ 20/PR20

Esta pintura integrou a obra de reabilitação da Sala do Capítulo do Convento de Jesus de Setúbal, em 1582, patrocinada por D. Filipe I de Portugal (Filipe II de Espanha), após a destruição causada por um incêndio. Foi pintada especificamente para o oratório do novo altar pelo que o recorte curvo do topo encaixa perfeitamente na arquitetura.
Conforme indicações escritas por João Moniz Borba, primeiro diretor do museu, ter-se-á mantido na Sala do Capítulo até janeiro de 1968, altura em que foi transferida para o piso superior.
No Novo Testamento da Bíblia é relatado que o Sinédrio dos Judeus mandou Jesus ao governador romano, Pôncio Pilatos, para ser julgado pelo poder civil. A multidão, em fúria, gritou a Pilatos que o crucificasse pelo que este, tentando evitá-lo, mandou açoitá-lo. Nesta pintura, Cristo, já açoitado, está a ser desatado da coluna, onde fora amarrado. Ao fundo encontra-se uma figura que poderá representar Caifás, o sumo-sacerdote do Sinédrio, que, com outros, acusou Jesus e o mandou a Pilatos, ou José da Arimateia, homem rico, igualmente membro do Sinédrio, mas que defendia secretamente Jesus ou, ainda, Pôncio Pilatos (embora, devido ao traje e à barba longa, a figura não seja identificável com um governador romano).

A Naveta

Naveta
Trabalho Português
Prata repuxada e cinzelada
Século XVIII (meados)
Museu de Setúbal/Convento de Jesus, MS/CJ 348/0.8
Proveniente da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal

Turíbulo
Trabalho Português
Prata repuxada e cinzelada
Século XVIII (3.º quartel)
Museu de Setúbal/Convento de Jesus, MS/CJ 350/0.10
Proveniente da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal

Ostensório
Trabalho Português
Prata dourada
Século XVIII (1º quartel)
Museu de Setúbal/Convento de Jesus, MS/CJ 358/0.18
Proveniente da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal

Três exemplares de alfaias litúrgicas de utilização harmónica em determinadas celebrações do culto católico, que se encontram à guarda da Casa do Corpo Santo/Museu do Barroco: A custódia ou ostensorium (para a exposição solene pública do Santíssimo Sacramento, cuja prática se iniciou a partir do século XIII); o turíbulo e a naveta.
“Pega no turíbulo, cheio de brasas tiradas do altar que está diante do Senhor e em duas mãos-cheias de incenso e penetra no lugar santíssimo, para além da cortina do santuário” [Levítico 16:12].
Uma das duas espécies eucarísticas – o pão – após a consagração pelo celebrante é inserida no viril (cápsula circular vidrada e transparente do hostiário) e aí fixada na lúnula (meia lua, por regra, de prata ou de ouro). Após o ritual incensório realizado de joelhos, por movimentos pendulares (ictus) do turíbulo suspenso das correntes que ligam o vaso ou caldeira hemisférica à chaminé e à tampa (opérculo), a hóstia fica exposta verticalmente no altar para veneração dos fiéis.
Os grãos que sobre as brasas no turíbulo se incendeiam perfumando o espaço, manifestam e simbolizam o sacrifício, a oferta e a veneração do crente. O incenso transferido pelo naviculário diretamente para o turíbulo, com o auxílio de uma pequena colher, guarda-se na acerra, alfaia cuja forma passou, desde o século XII, a assemelhar-se a uma nau e, por isso, a denominar-se “naveta”. Para além da derivação etimológica, os elementos que ainda hoje estruturam este recipiente de serviço litúrgico conservam designações próprias das embarcações: “castelo de popa”, “proa”, “bombordo”, “estibordo” e “porão”.
De par com as demais alfaias aqui divulgadas, a naveta do nosso acervo é um belo exemplar do período barroco, delicadamente trabalhado. Num espaço que, com a exuberante capela nele integrado foi sede de uma irmandade de navegantes e pescadores de Setúbal, esta peça adquire particular interesse, suscitador de uma leitura contínua, através de imediatas relacionações museográficas.