Arquivo Municipal | Oceana Zarco

A afirmação dos direitos das mulheres faz de Oceana Zarco uma figura ímpar a nível nacional e internacional, tendo esta sido homenageada com um topónimo no concelho sadino pelo tanto que deu através do desporto em geral e do ciclismo em particular.


Oceana Rosa de Sousa Zarco nasceu em Setúbal, a 12 de abril de 1911, na então freguesia de Santa Maria da Graça, tornando-se a primeira mulher portuguesa a tornar-se ciclista federada, competindo sob a licença desportiva com o número 227.

É pela mão do padrasto, João Duarte, igualmente conhecido por “Duarte das Motos”, que a renomada atleta tem a primeira experiência com este mundo ao lhe oferecer uma bicicleta por volta dos seis anos de idade, o que a levaria a fazer as suas deslocações escolares sempre a pedalar, causando estranheza aos passantes e aos moradores do trajeto, por ser algo muito invulgar à época.

De acordo com os registos do Vitória Futebol Clube, o único clube que representou em toda a sua vida desportiva, o início do seu percurso desportivo deu-se em 1925, com apenas 14 anos, sendo treinada por Arthur John, apresentando-se ao lado dos seus colegas masculinos, envergando o mesmo equipamento, calções e camisola de manga curta, correndo numa bicicleta igualmente masculina.

Entre 1925 e 1929 conquistou a III Volta a Lisboa e a I Volta ao Porto, ambas em 1926, e a I Volta a Setúbal, em 1929, na qual participaram outras três atletas femininas.

Porém, foi forçada a abandonar o ciclismo nesse mesmo ano por constrangimentos financeiros. Encerrado o seu ciclo desportivo, Oceana Zarco optaria pela enfermagem, profissão que haveria de exercer durante aproximadamente 30 anos.

Foi igualmente nesta etapa da vida que viria a casar, mas só após completar os cinquenta anos de idade já que a legislação estadonovista só passou a permitir que as enfermeiras contraíssem matrimónio a partir de 1963. Por este motivo, aponta-se, acabou por se ver impossibilitada de ter descendentes.

Entre as várias homenagens que lhe foram dirigidas em vida houve a do Movimento Democrático de Mulheres, a 9 de março de 1991, em prol do tanto que fez pela emancipação feminina, cabendo depois uma homenagem conjunta da Câmara Municipal de Setúbal, da Associação de Ciclismo do Distrito de Setúbal, da Federação Portuguesa de Ciclismo e do Vitória Futebol Clube, a 8 de abril de 2005, em reconhecimento pelos feitos desportivos e pela afirmação do papel da mulher na sociedade, uma vez que a tornou mais paritária com os seus contributos.

Tendo falecido a 11 de janeiro de 2008, na cidade que a viu nascer, voltou a ser homenageada pelo Município em 2009, com a colocação de uma placa no Cemitério de Nossa Senhora da Piedade, onde se encontra sepultada, em que se pode ler “Homenagem de todos os setubalenses à Glória do Ciclismo Feminino Português, orgulho do Desporto Setubalense”.

Na freguesia de Santa Maria da Graça, onde nasceu, foi-lhe atribuída uma rua com o seu nome, com início na estrada da Varzinha, por deliberação camarária de 7 de agosto de 2013.

Rua Oceana Zarco (ciclista)
 

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